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 Poesia

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AutorMensagem
fatima berenguel
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Abr 23, 2010 12:32 pm

MEU AMOR DA RUA ONZE

Tantas juras nós trocamos,
Tantas promessas fizemos,
Tantos beijos roubámos,
Tantos abraços nós demos.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais mentir.

Meu amor da Rua Onze,
Meu amor da Rua Onze,
Já não quero
Mais fingir.

Era tão grande e tão belo
Nosso romance de amor
Que ainda sinto o calor
Das juras que nos trocamos.

Era tão bela, tão doce
Nossa maneira de amar
Que ainda pairam no ar
As promessas que fizemos.

Nossa maneira de amar
Era tão doida, tão louca
Qu'inda me queimam a boca
Os beijos que nos roubámos.

Tanta loucura e doidice
Tinha o nosso amor desfeito
Que ainda sinto no peito
Os abraços que nos demos.

E agora
Tudo acabou.
Terminou
Nosso romance.

Quando te vejo passar
Com o teu andar
Senhoril,
Sinto nascer

E crescer
Uma saudade infinita
Do teu corpo gentil
De escultura
Cor de bronze,
Meu amor da Rua Onze.

Aires de Almeida Santos, angolano
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Abr 23, 2010 12:41 pm

Viriato da Cruz
Serão de Menino

Na noite morna, escura de breu,

enquanto na vasta sanzala do céu,

de volta das estrelas, quais fogaréus,

os anjos escutam parábolas de santos...

na noite de breu,

ao quente da voz

de suas avós,

meninos se encantam

de contos bantos...

"Era uma vez uma corça

dona de cabra sem macho...

..........................................

... Matreiro, o cágado lento

tuc... tuc... foi entrando

para o conselho animal...

("- Não tarde que ele chegou!")

Abriu a boca e falou -

deu a sentença final:

"- Não tenham medo da força!

Se o leão o alheio retém

- luta ao Mal! Vitória ao Bem!

tire-se ao leão - dê-se à corça."

Mas quando lá fora

o vento irado nas frestas chora

e ramos xuxualha de altas mulembas

e portas bambas batem em massembas

os meninos se apertam de olhos abertos:

- Eué

- É casumbi...

E a gente grande -

bem perto dali

feijão descascando para o quitende -

a gente grande com gosto ri...

Com gosto ri, porque ela diz

que o casumbi males só faz

a quem não tem amor, aos mais

seres busca, em negra noite,

essa outra voz de casumbi

essa outra voz - Felicidade...
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Abr 25, 2010 1:17 pm

AFRICA DO MEU AMOR




AFRICA DO MEU AMOR

Nos meus tempos de soldado
Procurei a paz dos honestos
Na África do meu amor
Ali na terra vermelha e fértil
Da savana Africana
Nas margens dos rios
De todas as ofertas da natureza,
Os animais buscavam sua presa
A fim de saciarem a fome
Como se ali fosse a única
Parte do mundo onde Deus passou
Deixando um rasto de beleza celestial
Naquelas terras que fazem bater
Mais forte os corações de todos
Por vezes numa aldeia qualquer
Duma terra Africana
Ao som do velho batuque
Meninas de lábios gulosos
E meninos de modos de desejo
Bailavam como se aquela
Fosse a última dança
A dança do resto de suas vidas
Na esperança que a paz,
A paz dos justos,
Voltasse aquele lugar sagrado
Onde os homens são mais irmãos
Tudo isto me encanta
E tudo isto me marcou
Enchendo-me o coração de ternura
Recordando eu hoje,
E sempre com satisfação e orgulho
Esta África do meu amor

de: Fernando Ramos
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Seg Abr 26, 2010 11:56 pm

NÃO VALE A PENA PISAR


O capim não foi plantado
nem tratado,
e cresceu,é força
tudo força
que vem da força da terra.
Mas o capim está a arder
e a força que vem da terra
com a pujança da queimada
parece desaparecer.
Mas não!Basta a primeira chuvada
para o capim reviver


MANUEL RUI
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Abr 27, 2010 2:52 pm

Ronda





Na dança dos dias
meus dedos bailaram...
Na dança dos dias
meus dedos contaram
contaram, bailando
cantigas sombrias...

Na dança dos dias
meus dedos cansaram...
Na dança dos meses
meus olhos choraram

Na dança dos meses
meus olhos secaram
secaram, chorando
por ti, quantas vezes!

Na dança dos meses
meus olhos cansaram...

Na dança do tempo,
quem não se cansou?!

Oh! dança dos dias
oh! dança dos meses
oh! dança do tempo
no tempo voando...

Dizei-me, dizei-me,
até quando? até quando?






Alda Lara (poetisa angolana)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Abr 27, 2010 2:57 pm

Além da Terra, Além do Céu
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Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade (poeta brasileiro)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Abr 27, 2010 3:14 pm

Este é o poema de amor
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Este é o poema do amor.
O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor.
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor.

António gedeão
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Abr 29, 2010 3:02 pm

Kalumba




Ela veio do mato
e confundiu
as estrelas com as luzes da cidade

Na cidade
os seus olhos eram duas estrelas

E no coração de muitos homens
não brilhou outro sol
se não a linda filha de soba
que viera das terras da Lunda
e morava no muceque Sambizanga

Mas os seus olhos confusos
descobriram na cidade
um mundo diferente
onde a sua alma era aferrolhada
nos navios que levaram do Congo
os homens sobre o mar
Kalunga! Morte

Aquela cidade era um mar
era a sua morte
E na cidade brilhante
que é um mundo, um mar
Kalunga!
onde em cada rua partem navios
para longe de cada homem
perdeu duas estrelas –

Os olhos
da linda filha dum soba da Lunda.


Agostinho Neto (Angola)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Abr 30, 2010 3:27 pm

Como se reza o Pai Nosso na Damais

Hey Brother que tás no alto
Não sejas Kota não sejas ralha
Aceita no teu reino a maralha.
Tás a ouvir, Man? Yo!
Dá-nos os morfes do dia a dia
Desculpa lá qualquer coisinha
Qu'a gente perdoa-lhes também.
Livra-nos do mal, livra-nos da bófia.
Tu tens o power.
Tu tens a glory.
Agora, Man,
Para sempre Man:
Fica cool!
Tasse bem...
Yo
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 07, 2010 1:36 am

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Pensamento de uma criança africana

Quando eu nasci, era preto;
Quando cresci, era preto;
Quando pego sol, fico preto;
Quando sinto frio, continuo preto;
Quando estou assustado, também fico preto;
Quando estou doente, preto;
E, quando morrer continuarei preto!

E você, cara branco,
Quando nasce, você é rosa;
Quando cresce, você é branco;
Quando você apanha sol, fica vermelho;
Quando sente frio, você fica roxo;
Quando você se assusta, fica amarelo;
Quando está doente, fica verde;
Quando você morrer, você ficará cinzento...

E você vem me chamando
HOMEM DE COR??!!

Autor Desconhecido
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 07, 2010 11:46 pm

Ronda

Na dança dos dias
meus dedos bailaram...
Na dança dos dias
meus dedos contaram
contaram,bailando
cantigas sombrias...

Na dança dos dias
meus dedos cansaram...

Na dança dos meses
meus olhos choraram
Na dança dos meses
meus olhos secaram
secaram,chorando
por ti,quantas vezes!.

Na dança dos meses
meus olhos cansaram...

Na dança do tempo,
quem não se cansou?!

Oh! dança dos dias
Oh! dança dos meses
Oh! dança do tempo
no tempo voando...

Dizei-me,dizei-me,
até quando?até quando?

ALDA LARA (poemas)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 3:46 pm

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A Cubata

Cuidado com essa brincadeira
Se você partir a cubata,
Mulata vai ficar zangada
Se você partir a cubata.

Aquela cubata toda feita de lata
Foi a Mulata, foi quem fez,
Quando chegar o Carnaval
Ela vai tocar batuque na cubata de lata.

Mulata, vai ficar zangada
Vai ficar zangada se partir a cubata, vai...
Quando chegar o carnaval
Ela vai tocar na cubata de lata, sim...

Angolano Desconhecido
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:03 pm



O Sorriso de Criança

A Raça Humana não tem cor,
Tanto sorri o Branco
Como o negro sente dor.
Não me senti nada diferente
Por entre aquela gente,
Onde também salta Criança
Sorri e tembém se sente.
Criança daquele Mundo
vivem sempre a sorrir,
São filhos de mulheres humildes
Que também sofrem ao parir.
Pegam num pedaço de pau
Com ele fazem um brinquedo,
Brincam na poeira e no capim
E não há nada que lhes meta medo.
Com eles eu cresci
Brinquei e me fiz homem,
Hoje distante, eu me encontro
Em meu coração elas dormem.

José de Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:05 pm

PASSEIO DE FÉRIAS




Um dia fui passear
Numa nave espacial,
Para umas férias diferentes
Não sabia onde ficar.

No local mesmo ideal
Foi lá que a nave parou,
Maravilha!... desci logo
Meu coração interrogou.

Que terra linda era aquela
Depressa fiquei sabendo,
Que era Angola afinal
Que um dia me viu crescendo.

Amigos, muitos encontrei
Entre, aquela gente Angolana,
Com eles fiz piqueniques
Onde havia muita banana.

E na hora da partida
Uma lágrima limpei,
O meu lencinho acenei
E bastante eu chorei.

Para onde vai agora?
Na nave me perguntaram,
Leve-me até à Gabéla
Onde tanto me amaram.

Decidi ficar por lá
Nas lindas terras do Amboim,
Todos quando me lá viram
Correram em direcção a mim.

Na hora de seguir viagem
Segui minha intuição,
Mandei parar a nave
No meio daquele sertão.

Terra bela naquele deserto
Com seu povo tão gentil,
Que bela recepção
Estava no mês de Abril.

Quiseram saber de onde vinha
De Portugal, respondi eu,
E ficaram encantados
Por verem quem com eles viveu.

Tudo estava como deixei
Tudo mesmo original,
Fui recebido pelo o povo
Com um abraço fraternal.

Com meus olhos chorando
E com um sorriso encantador,
Mandei chamar aquela negra
Por quem senti muito amor.

Tinha casado e já com filhos
Fiquei muito amargurado,
Virei-me p’ra trás chorando
Com o coração despedaçado.

Depois ela me disse
Que o marido morreu na guerra,
Para eu não me ir embora
E ficar ali com ela.

Pedi autorização ao Soba
Para na aldeia me acolher,
Houve festa de grande pompa
Só parou com o dia a romper.



Publicada por José Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:08 pm

Com muito carinho a todas as mães de Angola.



MÃE NEGRA

As mulheres de toda Angola
No dorso levam seus filhos,
À cabeça seguram vasilhas
Ou vão sachando os seus milhos.

Por entre a floresta
Mãe negra procura lenha,
Vários frutos trás com ela
E na boca sua “Macanha”.

Com pequeno sacho mexe a terra
E a mandioca vai plantando,
Depois volta para casa
E numa fogueira vai cozinhando.

Faz calúlú com quiabos
Ou “muamba” de Galinha,
Com pirão de mandioca
Ou de milho, fina farinha.

Não vive com complexos
É uma mulher especial,
Os peitos e as coxas ao léu
Tudo nela é natural.

Mulher de etnia Kwanhamas. Sul de Angola. Esta é a mais antiga etnia de toda a África, onde a maioria vivem completamente nus. A riqueza de cada família é notada pela quantidade de pulseiras que vão colocando nos pés.


Publicada por José Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:13 pm


Num deserto exótico Africano
Na noite quente de luar,
Ouço um ribeiro que corre
E a passarada a cantar.

Na tenda real a rapariga
Escrava ajoelha-se aos meus pés,
Sou seu Rei e senhor
Mas benevolente e de boas marés.

Todo o ar está saturado
Do seu exótico perfume,
As carícias que ao macaco dá
Deixam-me cheio de ciúme.

Ela atreve-se a olhar
Nos meus olhos pela primeira vez,
Nossos corações batem, batem
Enquanto descubro sua nudez.

Ela sabe que me pertence
E é a razão do meu viver,
Fazer tudo o que eu lhe pedir
Dar-me amor e muito prazer.

Nesse deserto tão exótico,
Passa-mos toda nossa vida,
Vou desfrutando da felicidade
Dessa mulher que me é querida.

Desta floresta não vou sair
Para sempre cá vou morar,
Deita-te comigo e vem dormir
E que não seja só a sonhar.

Publicada por José Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:23 pm

Desabafo de um solitário




É no papel e na caneta
A única forma que tenho,
Para desabafar o coração
Das coisas que nele mantenho.

Não lhes guardo segredos
Tudo lhes confidencio,
No que no meu peito existe
No papel eu o esvazio.

O que vai dentro de mim
Faz doer meu coração!
As horas e os dias passam
Cada vez com mais solidão.

Mas o eco dos meus sentimentos
Não o encontro em alguém,
Vou vivendo a triste sina
Como um prisioneiro e refém.

Ás vezes entro em desespero
E de tudo faço para me acalmar,
Só me sinto mais feliz
Quando me sento á beira-mar.

Meu olhar se esvai no horizonte
O vento sopra tentando limpar,
As lágrimas da minha face
Que pouco a pouco sinto a secar.

Ali na praia sentado
Caneta papel na minha mão,
Ouço uma voz que me diz:
-É teu o meu coração!

Adeus papel e caneta
Valeu a pena, já encontrei,
O amor da minha vida
Que por tanto lado procurei.


Publicada por José Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Maio 14, 2010 4:24 pm

O AMOR NÃO TEM COR


amor é um moinho
Mói, mói, mói,
O amor é um carinho
Que dói, dói, dói.

Não há dor que mais doa
Que a dor do amor,
Dói no preto, dói no branco
É dorzinha que não tem cor.


Publicada por José Sousa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Maio 16, 2010 12:02 am

O Convertido

Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde,sob o folgar,geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros,cuspi no altar avito
Um rir,feito de fel e de impureza...
Mas um dia abalou-se-me a firmeza
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma,cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento!
Só me falta saber se Deus existe!

Antero de Quental
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Maio 18, 2010 9:01 pm

Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

Fernando Pessoa
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Maio 20, 2010 7:06 pm

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António Gedeão

Dez réis de esperança

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

Gota de Água

Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Maio 23, 2010 4:35 pm

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Raul "Ouro Negro" Indipwo

Sou de África Latina
Isso é muito natural
Que eu sinta muita estima
pelo velho Portugal.

Sou da África Latina
Sou do séc. XXI
nossa gente está por cima
todos juntos somos UM

Gosto de vestir o que é bonito
ser alegre, ser sempre juvial
Gosto muito de sair contigo
só não gosto é que me deixem ficar mal

Discussão não é comigo
não tenho essas frescuras
Gosto de curtir o bom amigo
Ai, que a vida só é boa com ternura

Sou da África Latina
trago amor no coração
e a vida é que me ensina
que somos todos irmãos

Eu gosto de muamba de galinha
de churrasco com bastante gindungo
bem regado com pinguinha
de branco ou tinto
é mesmo o fim do mundo

Gosto de gostar de toda a gente
Gosto de acreditar no meu santo
Santa da Muxima tá presente
é quem me vale nas horas de desencanto.

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Seg Maio 24, 2010 2:00 am

LINDEZA

Minha terra é linda
como a flor que fica no Moxico
Ai, não levem a mal, por gostar tanto dela
não me queiram mal, por falar tanto dela

Minha gente é boa
como a água que corre no deserto
Ai, não levem a mal, por gostar tanto dela
não me queiram mal, por falar tanto dela

E todos querem acorrentá-la
E todos querem, querem roubá-la

Minha terra é grande
e será maior, se eu a fazer crescer
Ai, não levem a mal, por gostar tanto dela
não me queiram mal, por falar tanto dela

Minha terra é livre
como o vento que corre nas anharas
Ai, não levem a mal, por gostar tanto dela
não me queiram mal, por falar tanto dela

E todos querem acorrentá-la
E todos querem, querem roubá-la.
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Maio 27, 2010 10:12 am

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Não, não é cansaço...

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos


O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Alváro de Campos
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Maio 27, 2010 10:19 am

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Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Maio 29, 2010 6:44 pm



PÁTRIA...Actual ?



“E no entanto o país, meu Senhor,
é uma beleza! Uma beleza! Encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro,vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
Torna habitável este encanto…indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois boqueirões de esgoto,- o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! Libras, dinheiro!
Libras d’oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto;
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
Impérios d’além-mar, alquilam-se, ou então
Sorteados,- em rifa, ou à praça,- em leilão.
E o continente é dá-lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu,
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções,-cosmopolita.
…………………………………………….”
“Pátria” -1896-

De Guerra Junqueiro (1850-1923)

Actual?







Entretanto apareceu um Salazar e endireitou as coisas… Por onde andará o actual?...




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