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 Poesia

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fatima berenguel
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Maio 29, 2010 6:44 pm



PÁTRIA...Actual ?



“E no entanto o país, meu Senhor,
é uma beleza! Uma beleza! Encantador!
Trinta portos ideais, um céu azul marinho,
A melhor fruta, a melhor caça, o melhor vinho,
Balsâmicos vergéis, serranias frondosas,
Clima primaveril de mandriões e rosas,
Uma beleza! Que lhe falta? Unicamente
Oiro,vida, alegria, outro povo, outra gente.
Raça estúpida e má, que por fortuna agora
Torna habitável este encanto…indo-se embora!
Deixe morrer, deixe emigrar, deixe estoirar:
Dois boqueirões de esgoto,- o cemitério e o mar.
Que precisamos nós? Libras! Libras, dinheiro!
Libras d’oiro a luzir! Onde as há? No estrangeiro?
Muito bem; o remédio é claríssimo, é visto;
Obrigar o estrangeiro a tomar conta disto.
Impérios d’além-mar, alquilam-se, ou então
Sorteados,- em rifa, ou à praça,- em leilão.
E o continente é dá-lo a um banqueiro judeu,
Para um casino monstro e um bordel europeu,
Fazer desta cloaca, onde a miséria habita,
Um paraíso por acções,-cosmopolita.
…………………………………………….”
“Pátria” -1896-

De Guerra Junqueiro (1850-1923)

Actual?







Entretanto apareceu um Salazar e endireitou as coisas… Por onde andará o actual?...




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MensagemAssunto: Re: Poesia   Seg Maio 31, 2010 12:36 am

Sonho

Sonhei.Nem sempre o sonho é coisa vã.
Que um vento me levava arrebatado,
Através deste espaço consolado
Onde uma aurora eterna ri louçã...

As estrelas,que guardam a manhã,
Ao verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me e diziam com cuidado:
Onde está,pobre amigo,a nossa irmâ?

Mas eu baixava os olhos, receoso
Que traíssem as grandes mágoas minhas,
E passava furtivo e silencioso.

Nem ousava contar-lhes, às estrelas,
Contar às tuas puras irmãnzinhas
Quanto és falsa,meu bem,e indigna delas!

ANTERO DE QUENTAL
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Jun 19, 2010 12:35 pm

Não me Peçam Razões...


Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

Demissão





Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes.

Passado, Presente, Futuro


Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Jun 20, 2010 12:30 am

Retrato do poeta quando jovem


Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância,em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do tretrato a velha história.

José Saramago
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Jun 20, 2010 12:56 am

Na Ilha por vezes Habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade,e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contem toda a verdade suportável: o contorno,a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável,porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água,a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago ( in Provavelmente Alegria)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Jun 20, 2010 1:12 am

Eu Luminoso não sou

Eu luminoso não sou.Nem sei que haja
Um poço mais remoto,e habitado
De cegas criaturas,de histórias e assombros.
Se,no fundo poço,que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulado se alarga,
Digamos que é o mar:como o rápido canto
Ou apenas o eco,desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas.O musgo é um silêncio,
E as cobras-d´agua dobram rugas no céu,
Enquanto,devagar,as aves se recolhem.

José Saramago ( 1922-2010)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Jun 25, 2010 2:36 am





UM CAFUNÉ MAEZINHA

À memória de Luzia Bettencourt M., minha mãe.


Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha
Mimos e carícias nos meus cabelos
Numa brincadeira de assim
Meu cabelo ruim
E teu cafuné a embalar meus pesadelos!

Um cafuné na minha carapinha
Teus dedos mãezinha, rios
E estrelas nos receios
E caminhos dos meus cabelos
Teus dedos tranquilos
A me afagarem assim mãezinha!

Um cafuné a embalar meus medos
E o amor a brotar e a jorrar
Na minha carapinha
Que eu oiço a voz do luar
Mãezinha
Oiço o luar nos teus dedos!

Um cafuné e conta-me estórias
E sabedorias:
“Era uma vez, o coelho e o macaco…”
Uma estória de carapinha
A adormecer noitinha
E eu durmo o embalo do teu cântico!

Os caminhos do dia correm pantanosos
Os silêncios da noite misteriosos
Eu em medos e manias
À espera das tuas estórias
Teu cafuné mãezinha
A adormecer-me a carapinha!

Oh! A noite é dura
E eu durmo insónias na noite escura
A sonhar teu cafuné mãezinha
Minha carapinha castanha
Meu cabelo ruim
À espera mãezinha, num cafuné de assim!

Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha!

Luanda, 20 de Janeiro de 2007.

Décio Bettencourt Mateus (escritor e poeta angolano)

UM HOMEM NUM McDonal's!

Um homem das áfricas longínquas
Num McDonald’s das europas
A tremer o frio nas roupas
A esconder as mágoas
E miséria das terras ricas
E sofridas das áfricas!

Senta-se faminto num canto
O cansaço da África
A desilusão da Europa branca
No rosto esfomeado
Senta-se ao meu lado
A dor d’África no pensamento!

Traz a fome dos dias a roer
O homem num McDonald’s das europas distantes
A África e suas gentes
A roer, a moer
E um homem senta-se perdido nas europas
A tremer o frio nas roupas!

A África atrasada, distante
A poeira e gritaria de desentendimentos
Dos homens arrogantes
Europa, o paraíso, fica num além
Dissipado numa nuvem
E o “um homem” senta-se nos seus pensamentos!

E parte perdido na ilusão das europas brancas
A vergonha das áfricas ignorantes
E suas gentes
A barriga de fome a roer
A vergonha a doer
E um homem parte na desilusão das áfricas!

Décio Bettencourt Mateus (escritor e poeta angolano)

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Jun 25, 2010 2:44 am

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ROMANCE DE LUANDA

Coqueiros esguios - leques ao vento
abanando a Ilha.

Um dongo flutua
na baia.

E ela, a negra maravilha
condecorada com reflexos de prata
com que o céu a está beijando,
com que o céu a está vestindo,
- adormeceu sonhando
placidamente sorrindo.

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas vermelhas
de uma linda flor de ónix!

E o timoneiro, um preto atleta,
jovem pescador
é um brutal Cupido,
- é o Deus do Amor
em bronze reproduzido!

Nas águas verdes da baia calma,
caem pétalas de sangue,
duma flor já desfolhada...

Um dongo flutua
na baia.

Vai rompendo a madrugada!

Tomás Vieira da Cruz - Angolano
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Jun 25, 2010 4:05 am

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Reverência ao Destino


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.


Carlos Drummond de Andrade


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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Jun 25, 2010 4:15 am

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Poema do Alegre Desesperado

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

António Gedeão
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Jun 26, 2010 8:42 am

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XÉ CANDONGUEIRO

Candongueiro tem pressa

Sobe na baúca
Não tem conversa
Condução louca
Pé no acelerador, velocidade
Não respeita prioridade!
Eh! Candongueiro dono da estrada
Ultrapassa pela direita
Manobra arrojada
Ultrapassa
Vuza na estrada estreita
“Trabalha não dá confiança”, tem pressa!

Candongueiro abarrotado
Não afrouxa na lomba
Leva gente p’ra mutamba
Pé no acelerador, velocidade
Dono da cidade
“Dinheiro trocado, dinheiro trocado!”

Eh! Candongueiro tem cobrador
Que grita: 1. de Maio, Maianga, Maianga…
Pé no acelerador, zunga-que-zunga
Abarrotado de gente
Não respeita cliente:
“Ou encosta ou desce meu senhor!”

Zé Pirão, São Paulo, Roque
“Não há maka emagrece meu kota”
Candongueiro manda na estrada
Leva gente do musseque
Gente enlatada
Roda batida é dono da rota!

“Trabalha não dá confiança”
Prenda, Mulembeira, Mulembeira
Leva gente do povo gente da praça
Candongueiro transporte do povo
Não é carro novo
Arranca levanta poeira!

Zunga-que-zunga sobe o passeio
Carro cheio
Xé candongueiro
Respeita passageiro
E espera prioridade
Candongueiro é dono da cidade!

Eh! Candongueiro é gente importante
No carro velho
Leva gente p’ro trabalho
Carrega gente descarrega gente
Ku Duro música alta
Xé candongueiro olha multa!

Décio Bettencourt Mateus (Angola)
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Dom Ago 15, 2010 2:45 pm

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Feitiços

Feitiços, quem os não tem...
nos teus olhos de princesa,
são iguais aos da minha mãe!
És para mim uma luz acesa!

Tanto amor que doi
dentro do meu coração
mas muitas vezes doi
o acabar duma paixão!

Hà paixão que me vassala
e me faz tanto sofrer
estou preso numa sanzala...
Vem... eu só quero viver!

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Quando as palavras esmagam
a força do coração,
elas só estragam
o florir duma paixão!

Quando as palavras se quedem
no silêncio duma noite,
tudo mais se perde
naquilo que é afoite!

Quando as palavras se escondem
de mil projectos sombrios,
os sentidos não abondem
e há muitos estios!

E de palavras e quebras
o amor anda entre paixões
umas são levas,
outras só de traições!

Maria do Carmo - Cantinho de Poesia
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qua Ago 18, 2010 5:56 pm

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DlOGO CÃO ÀS PORTAS DO ZAIRE

Deste lado da história

o rio morre aqui.

Do mar sabemos nos e aos capitães

a fama da conquista.

Faço-me ao Sul

porque pertenço ao Norte

e a costa s6 me serve p'ra cumprir

tarefas de abandono.

Meu fim é circular, ir mais além.

Por isso eu sei de estrelas

direções

e nada sei do fruto

que se projecta e espera.

Cumpro tarefas, sim, porque viajo.

Assim nasci

sabendo o que me aguarda apos a descoberta.

Fronteiras

só conheço as do meu lar

e sei amá-lo, só,

noutras distâncias.

De Deus, empreendi que mora aqui no mar,

porque sou eu

quem lhe constrói a face.

Ao Rei e a Vos

apenas dou notícia do rumo horizontal.

Pois que sabeis da vertical sagueza?

Sei medir hoje, enfim, com muito mais rigor, a força da distância.

Sei decompô-la em tempo, espaço, velocidade e som.

Revendo-te, sereno, é de tal forma denso o teu volume

e natural o teu contorno exacto e fino

que dir-se-ia não haver sequer

um tempo em que me fiz a recordar-te.

Entre os pólos da distância retenho tão-somente a ponte,

quero dizer, a velocidade.

Das viagens não conservo uma noção que exceda um breve

sono, sonho, lapso de altura, vertical perfil.

Vou arriscar uma noção de ausência a elaborar humilde

na hora

do encontro/reencontro.

Imponho a tela crua que teci distante

(e que transporto do país do sono)

a forma testemunho da memória.

A minha percepção faz-se madura.

Retenho a sombra, apenas, do que — revisto ou novo —

adrega preservar a virgindade

e a febre do contorno a sua audácia.

Renovo a nitidez das referências.

A vaga geografia das ausências imponho uma paisagem

reassumida, renovada de ardor e nitidez amável.

Adquiro assim um depurado entendimento do que é posse.

Tenho também que o meu crescer se faz

de cinza acumulada pelos regressos —

uma brancura donde emerge opaca

a medular estrutura da paisagem.

Não nos separa espaço, nem distância ou tempo.

Entre nos dois

apenas o painel da mais recente ausência

aberto para os sinais

do encontro a conquistar.

Não mais do que a distância de um parágrafo.

E a ponte, a velocidade.

PRIMEIRA PROPOSTA PARA UMA NOÇÃO GEOGRÁFICA

solo — pastor

Sou testemunho da noção geográfica

que identifica as quatro direções

do sol as muitas mais que o homem tem.

Sou mensageiro das identidades

de que se forja a fala do silêncio.

Habito um continente e a comunhão prevista

além dos horizontes por transpor.

Renovo-me em saber, olhando o sol

acesa a cor para além destas fronteiras.

E se me ocorre o mar e me detenho

a frente dos meus gados indefesos

eu saberei da costa o quanto me prolonga

além das águas e dos meus recursos.

Olhando o mar eu sei que no temor

vivo em meu sangue, ardente e tão pesado

que há-de acorrer ao sangue de meus filhos

se deposita a mágoa antiga já

em que fermento a raiva e o vigor

para conquistar o mar e devolver

a cor o seu sentido e a dignidade.

Circulo a plataforma das viagens

para inventar as direções do mar

além de estéreis nuvens.

Um chão propício para erguer o encontro

entre o destino e o corpo.

Se as minhas mãos se tingem de vermelho, ao norte

e eu todavia me reservo ao sul

porque da terra quero a superfície plana

e a natureza vítrea do seu rosto

e a dádiva frugal de quanto a terra da

sem que lhe fira o ventre

eu digo —

a terra toda, a terra, a funda terra...

e uma noção mais vasta me sugere

a extrema dimensão do continente

e a comunhão de muitas outras vozes

vertendo o mesmo som no vão da noite.

E a forma de dois pés e o pó que os cerca

as mesmas latitudes para um só pisar

em cor de pés e pó omnipresente.

Habito o cheiro e quantas coisas simples

me fazem merecer o pó pisado.

E se eu falar de exílios mergulhado em dambas

ou penetrar florestas de umidade alheia

ou me dessedentar em águas que me expulsem

por lhes negar respeito e vê-las fáceis

ainda assim recordarei montanhas

quando a manha me recordar cacimbos

e saberei que estas imagens novas

por serem espelho de outras me pertencem

como se vê-las fosse a minha origem.

Nem tanto a voz cativa de um lugar

nem a função contida pela herança

nem a ciência exacta de um relevo.

Habito um corpo móvel de paisagens

protegidas por clareiras de fartura.

Habito o movimento e a minha pátria

é todo o continente de que não sei o fim.

Irei tão longe quanta for a sede e a urgência da mudança.

Cruzar-me-ei com as nuvens de outros corpos

movidos por idêntica voragem.

A diástole da vida me governa.

Atingirei o extremo norte

se a tanto me levar

o corpo fustigado pela carência das águas.

Habito as fontes todas do deserto

e obedeço ao vento, ao sol, as luas da verdura.

E nada me detém se a sede anima

o sangue aceso deste corpo enxuto.

Devasso a região dos Grandes Lagos

e as baixas pantanosas de Okavango.

Bordejo os areais da suave brisa:

Chaibi, Namibe, Kalaari

a estepe do Masai, montes do Karoo

que é onde a planta luta por florir

e aguarda paciente a gota de água.

Mergulho na garganta de Olduvai

e calco em meu andar

os fósseis mais remotos

argamassada em pedras a grandeza

da inusitada fúria que transforma

a mão em arma e os olhos em zagaias.

Repouso nas ruínas de Ashanti

nas construções ciosas do Benim

nas alas circulares do Zimbabwe:

adormeço vertido no regaço

do odor antigo do poder vencido

e na serena placidez do tempo.

Monomotapa, Ghana, Luba

reinos, impérios, fundadores de impérios.

Cavaleiros de Kanem-Bornu

mercadores de Kano, Zaria e Nok

profetas do Congo

muquixis da Lunda

adoradores do ferro:

Ashanti, Ibos

sentinelas dos rios:

Núbios, Kikuios

sóbrios amantes do leite:

Masai, Hereros

cultivadores de anharas

caminheiros da estepe

sombras da savana.

YORUBA

Três amigos eu tinha.

Pediu-me o primeiro

que dormisse na esteira.

Pediu-me o segundo

que dormisse no chão.

Pediu-me o terceiro

para dormir no seu peito.

Cedi a voz do terceiro

e vi-me transportado a um grande rio.

E do rio eu vi o rei

e o rei do sol.

E vi palmeiras

tão carregadas de fruto

que o peso as vergava

e as palmeiras morriam.

ClCLO DO FOGO

Há coisas que se choram muito anteriormente.

Sabe-se então que a história vai mudar.

ABERTURA

Silêncio mas por que e não apenas vento

até que a pedra se arredonde enfim

e a água se expanda

raiada no verde?

Um sono que se estenda obliquamente

entre a murada construção da idade

e as veredas ordenadas pelo passado.

Uma memória a ter-se

mas não aquela que o futuro impeça.

O sal, por toda a parte.

Então pequenos lagos se acrescentam

a partir de alguma fenda original. E são taças de mar

que dão contorno ao continente agreste.

Página publicada em agosto de 2009
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qua Ago 18, 2010 6:07 pm

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CHAGAS DE SALITRE

Olha-me este país a esboroar-se
em chagas de salitre
e os muros, negros, dos fortes
roídos pelo vegetar
da urina e do suor
a carne virgem mandada
cavar glórias e grandeza
do outro lado do mar.

Olha-me a história de um país perdido:
marés vazantes de gente amordaçada,
a ingénua tolerância aproveitada
em carne. Pergunta ao mar,
que é manso e afaga ainda
a mesma velha costa erosionada.

Olha-me as brutas construções quadradas:
embarcadouros, depósitos de gente.
Olha-me os rios renovados de cadáveres,
os rios turvos de espesso deslizar
dos braços e das mãos do meu país.

Olha-me as igrejas restauradas
sobre ruínas de propalada fé:
paredes brancas de um urgente brio
escondendo ferros de educar gentio.

Olha-me a noite herdada, nestes olhos
de um povo condenado a amassar-te o pão.
Olha-me amor, atenta podes ver
uma história de pedra a construir-se
sobre uma história morta a esboroar-se
em chagas de salitre.

(Chão de oferta, 1972)

Ruy de Carvalho (Santarém, Portugal, 1941 - Radicado em Angola)

A terra que te ofereço

1

Quando,
ansiosa,
pela primeira vez
pisares
a terra que te ofereço,
estarei presente
para auscultar,
no ar,
a viração suave do encontro
da lua que transportas
com a sólida
a materna nudez do horizonte.

Quando,
ansioso,
te vir a caminhar
no chão de minha oferta,
coloco,
brandamente,
em tuas mãos,
uma quinda de mel
colhido em tardes quentes
de irreversível
votação ao Sul.

2

Trago
para ti
em cada mão
aberta,
os frutos mais recentes
desse Outono
que te ofereço verde:
o mês mais farto de óleos
e ternura avulsa.
E dou-te a mão
para que possas
ver,
mais confiante,
a vastidão
sonora
de uma aurora
elaborada em espera
e refletida
na rápida torrente
que se mede em cor.

3

Num mapa
desdobrado para ti,
eu marcarei
as rotas
que sei já
e quero dar-te:
o deslizar de um gesto,
a esteira fumegante
de um archote
aceso,
um tracejar
vermelho
de pés nus,
um corredor aberto
na savana,
um navegável
mar de plasma
quente.

(A decisão da idade)


Fala da rainha de regresso ao Kimbo

O capitão chegou
viu e venceu.
É a sua força
de matar-me os homens.
Minha porém, maior,
é a ciência
de entender os astros.
à mão que fere e mata
oponho uma colheita de segredos.
A terra é minha
e dela me entronizo.
às gerações delego
a reconquista.
O tempo que me serve
é de outra cor
e o sol decidirá
a cor do mando.
Irmãos ouvi-me bem
eu sou rainha.
Quem vos governa os corpos
saberá
das outras heranças
para que me guardo.

De que futuro pode haver temor
para quem tanto acumula de passado?


Fala da Rainha para Bento Banha Cardoso

Antes do mais sou fêmea
e vós sabeis
que uma mulher dispõe
de outros recursos.
Para vosso desfavor
eu sou mulher
e rei
cabo de guerra
e negra.
Respondo pela voz de fêmea:
- aspiro a ver-vos rendido.
Respondo pela voz do povo:
- o povo quer-vos vencido.
Pela voz das tropas respondo:
- apraz-me ver-vos em fuga.
Respondo pela voz da raça:
- a raça quer-vos humilde.
A guerra é sem quartel
capitão-mor
e se eu morrer sem ver-vos
de abalada
hei-de parir quem cumpra
essa alegria.


Fala da Rainha exilada na Matamba

Deste reino vigio
a vossa andança.
Distantes de seu fogo
soi-lo vós
eu estou em casa.
Sou livre ainda
e se ora aqui me instalo
é para vos trazer
sempre em cuidado -
que entre os meus moro
e piso a terra minha
enquanto em vós...
divide-se a lembrança
entre outras terras
e o medo de não mais
poder pisá-las -
Eu se morrer
ao menos morro em casa.
E vós?
Não deixareis aqui
junto com as armas
vossas ossadas que afinal não são
mais brancas do que as minhas
que sou negra?

(Memórias de tanta guerra)








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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Ago 31, 2010 10:24 pm


Presença Africana

E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmâ- Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom,mordendo
o chão das ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas
longas e floridas...

Sim,ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!...Rua11!...)
pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nú
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda,e sempre,nela,
aquela
Longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha,eternamente...

Terra das acácias dos dongos,
dos cólios baloiçando,mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!

ALDA LARA Benguela, 1953 ( Poemas,1966)

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qua Set 01, 2010 2:41 am

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Dizer sim...
Mas não sentir...
Dizer sim...
E pensar não...
Sim... Não...
Palavras pequeninas...
Muito pequeninas...
E que tanto encerram...
O muito e o pouco...
O tudo e o nada...
O ser e o não ser...
O querer e não querer...
O dizer sim...
E dizer não...
Dizer o sim...
Mas pensar...
Que deveria...
Dizer não...

LILI LARANJO

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Faz de conta...
Que sou eu...
Faz de conta
que fiquei
E que transformei...
Transformei
O frio em calor...
Faz de conta
Que com um sorriso
A vida ficou mais leve...
E faz de conta
faz mesmo de conta...
E sonha...
Para que possas realizar...
O teu faz de conta...

LILI LARANJO

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CESTINHA

Cestinha da fruta...
De metal e asas largas....
Cestinha linda...
Que tão bem cheiras...
E o teu aroma...
Espalha-se pela casa toda...

Porque aqui nesta cestinha...

Eu encontrei...
O meu lindo abacate...
Verde e elegante...
A Dona manga bem madurinha...
Fica toda vaidosa...

Depois, dois lindos maracujás...
Muito roxos... fazem companhia...
E tu Ginguenga...
Vermelha e oval...

És apenas o contraste...

E a fruteira...
Tem também...
Duas lindas goiabas...
Doces...
E com um cheirinho...
Que se junta aos outros...
E se estende pela sala...

E tu...Fruteira...

Continuas a deliciar...
Com os teus cajús...
E castanhas de estalar ...

LILI LARANJO


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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Set 02, 2010 8:56 am

fatima berenguel escreveu:
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UM CAFUNÉ MAEZINHA

À memória de Luzia Bettencourt M., ,imha mãe.


Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha
Mimos e carícias nos meus cabelos
Numa brincadeira de assim
Meu cabelo ruim
E teu cafuné a embalar meus pesadelos!

Um cafuné na minha carapinha
Teus dedos mãezinha, rios
E estrelas nos receios
E caminhos dos meus cabelos
Teus dedos tranquilos
A me afagarem assim mãezinha!

Um cafuné a embalar meus medos
E o amor a brotar e a jorrar
Na minha carapinha
Que eu oiço a voz do luar
Mãezinha
Oiço o luar nos teus dedos!

Um cafuné e conta-me estórias
E sabedorias:
“Era uma vez, o coelho e o macaco…”
Uma estória de carapinha
A adormecer noitinha
E eu durmo o embalo do teu cântico!

Os caminhos do dia correm pantanosos
Os silêncios da noite misteriosos
Eu em medos e manias
À espera das tuas estórias
Teu cafuné mãezinha
A adormecer-me a carapinha!

Oh! A noite é dura
E eu durmo insónias na noite escura
A sonhar teu cafuné mãezinha
Minha carapinha castanha
Meu cabelo ruim
À espera mãezinha, num cafuné de assim!

Um cafuné mãezinha
Um cafuné na minha carapinha!

Décio Bettencourt Mateus

Luanda, 20 de Janeiro de 2007.

UM HOMEM NUM McDonal's!

Um homem das áfricas longínquas
Num McDonald’s das europas
A tremer o frio nas roupas
A esconder as mágoas
E miséria das terras ricas
E sofridas das áfricas!

Senta-se faminto num canto
O cansaço da África
A desilusão da Europa branca
No rosto esfomeado
Senta-se ao meu lado
A dor d’África no pensamento!

Traz a fome dos dias a roer
O homem num McDonald’s das europas distantes
A África e suas gentes
A roer, a moer
E um homem senta-se perdido nas europas
A tremer o frio nas roupas!

A África atrasada, distante
A poeira e gritaria de desentendimentos
Dos homens arrogantes
Europa, o paraíso, fica num além
Dissipado numa nuvem
E o “um homem” senta-se nos seus pensamentos!

E parte perdido na ilusão das europas brancas
A vergonha das áfricas ignorantes
E suas gentes
A barriga de fome a roer
A vergonha a doer
E um homem parte na desilusão das áfricas!

Décio Bettencourt Mateus
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qua Set 08, 2010 1:42 am

Olá Décio

Seja bem-vindo ao nosso espaço

Receba o nosso kandando de boas-vindas

Só agora reparei, na coincidência do seu nome, com o autor do poema, colocado pela Fátima Berenguel.Peço desculpa pela minha falta de atenção.

Aproveito a oportunidade de ter entre nós um escritor/poeta angolano, para lançar-lhe o desafio, caso seja esse o seu desejo, abrir um Tópico (espaço) com o seu nome onde poderia colocar os seus livros, e dados de aquisição das obras mas também algumas poesias, para os restantes amigos(as) terem uma ideia, da pujança da sua escrita, à qual sou uma grande admiradora e seguidora, pelas quais gostaria de dar-lhe os "PARABÉNS".

Esteja à vontade para usar o nosso espaço, divulgar a literatura angolana, principalmente as suas obras que merecem ser conhecidas e reconhecidas

Pode abrir o Tópico clicando em cima do link em anexo,

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Vai entrar directamente no espaço destinado aos "Livros Editados pelos membros do Fórum"

Se necessitar de ajuda, estarei à sua disposição.
Um forte kandando angolano

_________________
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Qui Set 09, 2010 12:26 pm

conhecendo melhor o poeta que temos o previlégio de o ter entre nós...

Decio Bettencourt Mateus

Naturalizado e residente em Luanda, nasci em Menongue provincia do Kuando-Kubango, sul de Angola. Desde muito cedo me habituei a ouvir vozes silenciosas no meu interior. Desde muito cedo compreendi que tinha de colocar estas vozes no papel! Sou membro da União dos Escritores Angolanos.

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O livro, uma edição da UEA, é composto por trinta poemas, distribuídos em oitenta e duas páginas e prefácio do galego Xosé Lois Garcia.

Candongueiro tem pressa
Sobe na baúca
Não tem conversa
Condução louca
Pé no acelerador, velocidade
Não respeita prioridade!

Eh! Candongueiro dono da estrada
Ultrapassa pela direita
Manobra arrojada
Ultrapassa
Vuza na estrada estreita
“Trabalha não dá confiança”, tem pressa!

Candongueiro abarrotado
Não afrouxa na lomba
Leva gente p’ra mutamba
Pé no acelerador, velocidade
Dono da cidade
“Dinheiro trocado, dinheiro trocado!”

Eh! Candongueiro tem cobrador
Que grita: 1. de Maio, Maianga, Maianga…
Pé no acelerador, zunga-que-zunga
Abarrotado de gente
Não respeita cliente:
“Ou encosta ou desce meu senhor!”

Zé Pirão, São Paulo, Roque
“Não há maka emagrece meu kota”
Candongueiro manda na estrada
Leva gente do musseque
Gente enlatada
Roda batida é dono da rota!

“Trabalha não dá confiança”
Prenda, Mulembeira, Mulembeira
Leva gente do povo gente da praça
Candongueiro transporte do povo
Não é carro novo
Arranca levanta poeira!

Zunga-que-zunga sobe o passeio
Carro cheio
Xé candongueiro
Respeita passageiro
E espera prioridade
Candongueiro é dono da cidade!

Eh! Candongueiro é gente importante
No carro velho
Leva gente p’ro trabalho
Carrega gente descarrega gente
Ku Duro música alta
Xé candongueiro olha multa!

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Os meus pés andantes
Procuram a palanca real, palanca negra
E desencantam as quedas de Kalandula
Quedas da minha terra
Oh é bela Angola
É bela Angola e são felizes os meus pés caminhantes

Os meus pés empoeirados
Acariciam subsolo rico, ouro negro a jorrar no alto mar
Ouro negro a jorrar no offshore
E no onshore
Ouro negro a brotar
Das entranhas do mar, para os meus pés esfomeados!

Os meus pés garimpeiros
Apalpam tesouros e mais tesouros
Minas de diamante, ferro, cobre, prata, ouro…
Debaixo dos meus pés ásperos
Minas de diamante debaixo dos meus pés maltratados
Debaixo dos meus pés esfomeados

Os meus pés camponeses
Galgam a terra, terra boa de agricultura
Terra boa de verdura
E farta de feijão, mandioca, milho, batata…
Terra boa, terra farta
Debaixo dos meus pés famintos e felizes

Os meus pés pescadores
Banham-se em mares ricos
Mares de garoupas, corvinas, carapau, mariscos…
E mergulham em rios fartos, Kwanza, Kubango
Keve, Bengo…
Águas fartas a banharem os meus pés sofredores

Os meus bolsos vazios
Vêem outros bolsos vazios aterrar desnutridos
E depois, bolsos cheios
A levantar voo, a embarcar abastados
Bolsos cheios a embarcar com sorrisos
A embarcar abarrotados, oh que paraíso!

Os meus pés descalços
Clamam por migalhas, clamam por pedaços
Os meus bolsos vazios
Não clamam por milhões, não clamam por rios
Os meus bolsos vazios e os meus pés famintos
Clamam somente por migalhas de alimentos!

UM OUTRO EU

Um outro eu, distante de mim
Distante de me pertencer
E distante de me querer
Um outro eu, num qualquer outro jardim
Dum qualquer outro canto
E com um qualquer outro pensamento

Um outro eu perdido
E desaparecido
Feito vagabundo a deambular para trás e para frente
Ora triste ora contente
Hoje aqui, amanhã ali e depois acolá
Um outro eu feito vagabundo, hoje aqui amanha lá!

Um outro eu por aí numa qualquer esquina
Com uma qualquer companhia
Num qualquer dia
E quiçá com uma qualquer mania
Procurando sua sina
Um outro eu talvez por aí perdido em angústia!

Um outro eu, numa qualquer discoteca de Luanda
Mulher bela, mulher linda
Mulher da vida, mulher que anda
Mostrando pernas grossas e exibindo os seios
Um outro eu mulher gatuna, roubando prazeres alheios
Numa qualquer discoteca de Luanda

Um outro eu, num qualquer quarto de um hotel
Numa cama de um hotel, sorvendo mel
Dando mel a um qualquer desconhecido
Conhecido
Um outro eu mulher linda
Prostituindo-se num qualquer hotel de Luanda

Um outro eu, num qualquer carro desconhecido
Em gemidos proibidos
Algures em canto escondido da ilha de Luanda
Da ilha da kianda
Um outro eu gozando prazeres aldrabados
Gozando prazeres contaminados!

Um outro eu dançando a tarrachinha
Pernas nas pernas entrelaçadas, desejo vivo nas entrelinhas…
Corpos nos corpos juntinhos
Respiração em respiração
Em louca excitação, em louca comunhão
Um qualquer eu a tarrachar, sexos nos sexos coladinhos!

Um outro eu às vezes, por aí entristecido e disperso
Num qualquer canto do planeta
Quiçá mesmo do universo
Um outro eu feito um qualquer cometa
Perdido à procura duma qualquer outra meta
Perdido à procura dum qualquer outro verso!

Um outro eu mulher linda
Mulher da vida, prostituindo-se num qualquer hotel de Luanda!

Décio Bettencourt Mateus
in "Os Meus Pés Descalços"





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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Set 10, 2010 8:45 pm


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"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o

Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda
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MensagemAssunto: Re: Poesia   Ter Set 21, 2010 2:02 pm

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Luís Carlos Patraquim (Maputo, 26 de Março de 1953) é um poeta, autor teatral e jornalista moçambicano.

Metamorfose

a Mãe não era ainda mulher

e depois ficou Mãe

e a mulher é que é a vagem e a terra

então percebi a cor

e metáfora

mas agora morto Adamastor

tu viste-lhe o escorbuto e cantaste a madrugada

das mambas cuspideiras nos trilhos do mato

falemos dos casacos e do medo

tamborilando o som e a fala sobre as planícies verdes

e as espigas de bronze

as rótulas já não tremulam não e a sete de Marco

chama-se Junho desde um dia de há muito com meia dúzia

de satanhocos moçambicanos todos poetas gizando

a natureza e o chão no parnaso das balas

falemos da madrugada e ao entardecer

porque a monção chegou

e o último insone povoa a noite de pensamentos grávidos

num silêncio de rãs a tisana do desejo

enquanto os tocadores de viola

com que latas de rícino e amendoim

percutem outros tendões da memória

e concreta

a música é o brinquedo

a roda

e o sonho

das crianças que olham os casacos e riem

na despudorada inocência deste clarão matinal

que tu

clandestinamente plantaste

AOS GRITOS

in Cadernos «Diálogo» 1
As Palavras Amadurecem - 1988

zambeziando

E o mar se perde
Onde navegas

O que restava do odre

E deus
Apascentando a sua
sede

Onde te ris
Torre
E chama









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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Set 24, 2010 3:01 pm



NDALU DE ALMEIDA ( ONDJAKI )
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Poeta, artista plástico y actor. Nació en Luanda, Angola em 1977. Cursa acutalmente en Portugal. Licenciatura en Sociología.

TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL

ESPERAR O VENTO...

II

cresce a manhã...
essa aquarela bruta
que cobra ao mundo os seus
nocturnos frios.
cresço de manhã...
a minha ramela emana
nua
o cobre do mundo
os seus amarelos tons.
de manhã
Deus distribui certeiramente
os seus castigos.
odores
cores
amores...
(...)
Deus:
também eu desejo
esse castigo azul...

III

não sei dizer este azul que encaminha
os céus...
sei respirá-lo intenso
na vibração densa, descompassada
dos olhos que se entornam nele...
não sei morrer noutra cor.
antes esta tonalidade
assim-breve
assim-escorregadia
desintegrando a noite
reinventando o dia.
e eu...
eu não sei escrever este azul
que dá luz á manhã...

IV

há no silêncio do ar
uma paz autorizada...
um murmúrio lírico
no renascimento
de cada momento.
o pássaro brinca entre uma nota de assobio
e um sopro de vento.
a borboleta adormece — encantada.
(...)
para haver paz
há que caminhar silêncios.

V

quero o aconchego
da sombra.
da árvore.
a sua frescura
a sua candura.
quero o seu caule
sólido
a maciez da sua seiva
a dureza da sua raiz.
quero a paz das suas folhas
deitadas
deleitadas
adormecendo — na paz do tempo.

VI

no cântico longínquo das nuvens
cresce uma andorinha branca.
deforma-se
o mundo
para uma nova densidade.
sorri
a primeira gota de chuva.
este cântico das nuvens é
um bramido suave
que adormece os olhos
os olhares
dos bichos.
a andorinha cessa o seu voar.
a nuvem cessa o seu cantar.
a gota de chuva
densa
despede-se do mundo...
e voa!

VII

só na ilusão da asa
o ser se sonha.
seu degredo. sua afluência.
quantas vezes
sem consciência.
só no silêncio da asa
o ser se sonha.
pouco enredo. pouca ciência.
raras vezes
em abstinência.
só na solidão da asa
o ser se silencia.

XII

vento
és a casa dos pássaros.
és o não-chão. nem tremor nem homens nem calor. és o
aéreo que encandeia as nuvens e, num passo gêmeo, as
conduz.
és sedução genuína nessa textura que usas no mar. os
pássaros te freqüentam erráticos porque também és o
eco da poesia — a estranha densidade de nada pisar.,
o não silencioso.
o silencioso.
és o deserto que chove sobre o mundo

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Set 24, 2010 3:10 pm

Conceição Lima
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Quando o luar caiu

Quando o luar caiu e
tingiu de escuro os verdes da ilha
cheguei, mas tu já não eras.

Cheguei quando as sombras revelavam
os murmúrios do teu corpo
e não eras.
Cheguei para despojar de limites o teu nome.
Não eras.

As nuvens estão densas de ti
sustentam a tua ausência
recusam o ocaso do teu corpo
mas não és.

Pedra a pedra encho a noite
do teu rosto sem medida
para te construir convoco os dias
pedra a pedra
no teu tempo consumido.

As pedras crescem como ondas
no silêncio do teu corpo.
Jorram e rolam
como flores violentas.
E sangram como pássaros exaustos
no silêncio do teu corpo
onde a noite e o vento se entrelaçam
no vazio que te espera.

Súbito e transparente chegaste
quando falsos deuses subornavam o tempo,
chegaste sem aviso
para despedir o defeso e o frio,
chegaste quando a estrada se abria
como um rio,
chegaste para resgatar sem demora o principio.

Grave o silêncio agarra-se ao teu corpo,
hostil o silêncio agarra-se ao teu corpo
mas já tomaste horas e caminhos
já venceste matos e abismos
já a espessura do obô resplandece em tua testa.

E não me bastam pombas dementes no teu rosto
não bastam consciências soluçante em teu rasto
não basta o delírio das lágrimas libertas.

Cantarei em pranto teu regresso sem idade
teu retorno do exílio na saudade
cantarei sobre esta terra teu destino de rebelde.

Para te saudar no mar e no palma
na manhã dos cantos sem represas
saudarei a praia lisa e o pomar.
Direi teu nome e tu serás.
1986

DESCOBERTA

Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
Aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sex Set 24, 2010 3:17 pm

NELSON SAÚTE
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A ILHA DOS POETAS

Muipiti adormece no coração dos poetas
e sublima os delitos na contornada
rota das viagens longínquas. As canções
rumorejam ao vento ressuscitando
as esquecidas pedras da Ilha.

Mulher de m'siro feitiço do Oriente
os poemas do irredimível encantamento
levantam-se sobre as ruínas.

Na proa da memória a evocação das velas sonolentas na imaginária romaria
neste lugar onde o estro do escriba
permanece ancorado na lápide anónima.

A odisseia celebra o nome da pátria
na errância das naus pelo Indico.
Os homens a terra e o tempo:
suas vozes descubro na História.

MULHER DE M'SIRO

O m'siro
encantamento dos meus olhos
perfaz a tua insular imagem.
No litoral do teu corpo
a apoteótica espuma
do orgasmo das ondas.
Ó júbilo na falésia do canto.

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Set 25, 2010 2:02 pm

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MensagemAssunto: Re: Poesia   Sab Out 02, 2010 1:43 pm

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Meu nome é MULHER!

Eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe de família
Sou camionista, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção ..
Ao mundo peço licença
Para actuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER !!!


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MensagemAssunto: Re: Poesia   Hoje à(s) 2:33 pm

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